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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Avaliação do espetáculo teatral "Um zé qualquer também ama" da Cia Dêu Zebra no Teatro, feita pelo diretor da Oficarte Teatro e Cia (Russas/CE), Frank Lourenço.

UM ZÉ, COMO QUALQUER ZÉ...


                                                                                                                                   Por Frank Lourenço

O grupo Deu Zebra no Teatro do assentamento Ipanema,município de Alto Santo,  é um típico grupo de teatro de rua que tem como inspiração as rodas de camelô nas feiras populares. Seu jogo de encenação lembra os brincantes dos folguedos tradicionais, um tipo de teatro de rua muito característico no nordeste brasileiro e também as comédias circenses, inclusive com algumas gags e reprises.
Como de práxis, o grupo busca em suas encenações refletir sobre o cotidiano, trazendo uma crítica bem humorada aos diversos sistemas: Político, religioso e econômico. Como diz Mikhail Bakhtin o risível é libertário.
Em “Um Zé Qualquer Também Ama”, o grupo traz a cena alguns tipos que já são comuns na dramaturgia nordestina como o cangaceiro, a lavadeira, a mocinha ingênua, a quenga, um violeiro, um sacristão e um anti-herói. A trama já é batida, conta a história de Zé que se apaixona por uma mocinha ingênua, sobrinha do Sacristão violento e valentão, mas, no entanto a trupe urde um espetáculo alegre, dinâmico e provocador.
O mocinho da história é um sujeito jocoso com ar de bobo chamado Zé.
                              Um Zé Qualquer
                              Sem nome
                              Sem sobrenome
                              Somente com a fome
                              De Zé
                              De um Zé Qualquer
Como muito bem diz o poema, um Zé sem nome, um simples homem do povo que pode ser qualquer um da plateia, um anônimo que como tantos tem suas histórias de amor e paixão que poderiam virar filme, romance ou poesia, mas, no entanto são histórias de Zé Ninguém esquecidas pela sociedade. O Zé representa a luta do povo simples e sofrido que no dia a dia tem que enfrentar todo um sistema opressor que lhe tolhe a liberdade e os sonhos.
Empurra a cancela Zé
Abre o curral da verdade
Pra mostrar pra mocidade
Como é que vive um Zé
Sem um conforto sequer
Com sua latas furadas
E a cacimba tão distante
Um Zé arame farpante
Feito de gente e de fé.

Assim o grupo Deu Zebra no Teatro cumpre seu metier, seu ato sagrado e libertário, provocando risos e reflexões seja nas ruas, praças e terreiros, nas cidades e em assentamentos rurais levando alegria e provocações fazendo juz a máxima Brechtiana “O teatro deve ser divertido e didático).
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